Todos os anos surgem novos superalimentos com mil e uma funções, como emagrecimento, prevenção de doenças, efeito antioxidante, melhoria da imunidade, aumento da performance.
Hoje vamos falar sobre o óleo de coco e as suas propriedades!
Sabe o que é o óleo de coco?
Composição lipídica:
O óleo de coco é composto, quase na sua totalidade, por ácidos gordos saturados. Percentagens aproximadas:
- 50% – ácido láurico (C12)
- 16% – ácido mirístico (C14)
- 8% – ácido palmítico (C16)
- O restante é composto pelos ácidos caprílico (C8), cáprico (C10) e esteárico (C18).
Relativamente aos ácidos gordos essenciais, o óleo de coco possui uma baixa concentração de ácido linoleico (ómega-6) e não contém ácido linolénico (ómega-3).
O grande diferencial deste óleo é a interessante concentração de ácidos gordos saturados de cadeia média – formados por 6 a 12 carbonos (alguns autores consideram até 10 carbonos), que formam os chamados triglicerídeos de cadeia média – TCM.
Quando comparado a outras gorduras saturadas com perfil diferente (com maior concentração de ácidos gordos de cadeia longa – AGCL, por exemplo), os TCM apresentam menor ponto de fusão (líquidos à temperatura ambiente), menor tamanho molecular e densidade energética (8,25 kcal/g TCM contra 9,2 kcal/g dos TCL). Estas propriedades físico-químicas diferenciadas irão influenciar a forma como ele será absorvido e metabolizado.
É importante ressalvar que apenas UMA PARTE do óleo de coco é composto por essas gorduras.
O que muda no metabolismo?
Os TCM possuem uma forma diferenciada de absorção no corpo humano (com exceção do láurico): o sistema venoso portal. Estes ácidos gordos serão absorvidos ligados à albumina. Esta via portal permite que eles cheguem de forma mais rápida ao fígado, sem exigir muita maquinaria fisiológica ou condução por proteínas como as quilomicra – não induzindo a elevação dos triglicerídeos plasmáticos.
Desta forma, quando comparado aos AGCL, os ácidos gordos de cadeia curta desempenham um menor estímulo à secreção de colecistoquinina (cck), ao ácido biliar e ao colesterol plasmático.
Contrariamente, o ácido láurico (aquele presente em cerca de 50% do óleo de coco) é absorvido e transportado pela via linfática e a sua presença nos quilomicra é de dose-dependente. Ou seja, apesar de poderem ser classificados como TCM, não possuem um comportamento metabólico similar.
Para além disso, existe uma suspeita sobre o caráter inflamatório deste ácido gordo – já evidenciado em estudos in vitro: dentro dos ácidos gordos saturados, o ácido láurico é o que possui um maior potencial inflamatório.
Deve-se realçar, também, que cerca de 25% da gordura de coco consistem em gordura saturada de cadeia longa (ácidos mirístico C14 e palmítico C16).
Mesmo sabendo das particularidades da composição lipídica do óleo de coco, já é bem estabelecida a influência dos ácidos gordos saturados no aumento das concentrações de LDL-colesterol, o que pode significar um aumento do risco para doenças cardiovasculares. Por este motivo, as principais diretrizes recomendam a restrição deste tipo de gordura na dieta.
As evidências
Segundo o Posicionamento sobre o Consumo de Gorduras e Saúde Cardiovascular publicado em 2021: não existem, até o momento, estudos que sustentem o efeito do óleo de coco no perfil lipídico, inflamatório ou desfechos cardiovasculares, não devendo ser indicada a substituição de outros óleos vegetais de perfil mais insaturado pelo óleo de coco.
Uma revisão sistemática com meta-análise publicada no jornal Circulation, em 2020, avaliou o efeito do consumo de óleo de coco nos fatores de risco cardiovascular.
Este trabalho analisou 16 ensaios e concluiu que o consumo de óleo de coco aumentou significativamente as concentrações de LDL-colesterol em comparação com outros óleos vegetais.
O estudo acrescenta, ainda, que o óleo de coco não deve ser visto como uma opção mais saudável e ressalta a importância da limitação do seu consumo devido ao alto teor de gordura saturada.
Óleo de coco e emagrecimento: faz algum sentido?
Já preciso trazer, de antemão, a clássica informação: nenhum alimento isolado é capaz de emagrecer ou engordar uma pessoa! A base da perda de peso é: DÉFICIT CALÓRICO!
Mesmo assim, algumas pessoas – e até profissionais de saúde – insistiram em utilizar o óleo de coco com esta finalidade. A “febre” foi tanta que em 2015 a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) publicaram uma nota sobre o uso de óleo de coco no emagrecimento. Eles citam: “não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de de que o óleo de coco leve à perda de peso”.
Sabemos que o uso deste e de qualquer outro lipídio em excesso e/ou fora de contexto pode arruinar o processo de emagrecimento, contribuindo para um superávit calórico.
Por isso, é o que eu sempre afirmo: a nutrição é uma ciência e, portanto, deve ser levada a sério pelos profissionais e por quem quer ter uma vida saudável.

